28/05/2019 às 16h02min - Atualizada em 28/05/2019 às 16h05min

Ministro Luiz H. Mandetta faz aceno a cooperativas de saúde

As 805 cooperativas de saúde constituem um dos 7 ramos do cooperativismo brasileiro. De acordo com a OCB, reúnem mais de 238 mil cooperados e atendem 25 milhões de pessoas

DINO


As 805 cooperativas de saúde constituem um dos 7 ramos do cooperativismo brasileiro. De acordo com a OCB, reúnem mais de 238 mil cooperados e atendem 25 milhões de pessoas. Estão presentes em 83% dos 5.570 municípios do país. Ramo genuinamente brasileiro, surgiu em 1960, quando um grupo de médicos da cidade de Santos (SP) se uniu para formar a primeira cooperativa de profissionais de saúde do Brasil. Em entrevista exclusiva à EasyCoop, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comenta a importância desse ramo para a área da saúde.

EasyCoop - Que contribuições o cooperativismo pode dar à área da Saúde?

Luiz Henrique Mandetta - Conheço muito bem o trabalho do cooperativismo em saúde por já ter presidido a Unimed em Campo Grande (MS) por quatro anos. Um dia, um grupo de médicos decidiu fazer uma chapa para fazer oposição aos que estavam no comando da Unimed, que era nossa cooperativa de trabalho médico. Aconteceu que, com 1.300 e poucos votos, fui eleito presidente em Campo Grande e conheci a força do cooperativismo com profissionais que prestam serviços em diferentes áreas de atuação. Tenho muito respeito a todos aqueles que militam no cooperativismo como forma de realização não do eu, não do você, mas do nosso, como instrumento de construção coletiva para a execução de inúmeras frentes. Acredito que o setor pode contribuir com a oferta de uma assistência com cada vez mais qualidade ao cidadão, parcerias com o Poder Público no âmbito local e com o compartilhamento de boas práticas na área de gestão da saúde que são sempre muito bem-vindas.

EasyCoop - Como profundo conhecedor do setor, o Sr. vê possibilidade de estimular a participação de cooperativas de saúde em licitações promovidas pelo Ministério?

Mandetta - No âmbito do Ministério da Saúde, não há indução ou contratação direta de cooperativas de profissionais de saúde, até porque a contratação desses serviços ocorre no âmbito local e existem boas parcerias entre cooperativas e o Poder Público municipal e estadual para prestação de serviços de saúde. No que compete ao Ministério da Saúde, queremos reaproximar e reconstruir pontes com a medicina, que está muito afastada, com associações médicas brasileiras, profissionais e conselhos de farmácia, enfermagem, psicólogos, a equipe da nutrição, assistência social, fisioterapia, terapia ocupacional, entre tantas outras especialidades, incluindo a educação física. Porque acredito que a construção de um SUS melhor é coletiva e isso se faz com diálogo aberto com todos os profissionais da saúde, em suas áreas de atuação, entendendo o que podemos fazer e onde devemos avançar.

EasyCoop - É possível indicar áreas que poderiam envolver a ação de cooperativas de médicos e de outros profissionais da saúde, como enfermeiros, cuidadores de idosos etc.?

Mandetta - As áreas de atuação variam conforme a necessidade do modelo assistencial adotado pelo ente federado, no âmbito municipal ou estadual. É importante que o gestor faça uma avaliação pautada pela melhor relação de custo-efetividade possível, definindo assim a escolha dos serviços de saúde mais adequados para o território.

EasyCoop - Alguma mensagem especial às cooperativas do setor?

Mandetta - É importante que nós possamos fortalecer as cooperativas médicas e aquelas envolvendo outros profissionais da saúde. Para qualificar ainda mais a atuação das cooperativas e o atendimento ao cidadão, a regulação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) deve tratá-las de forma diferenciada, como também os serviços de autogestão, que são diferentes dos planos de saúde que, por sua vez, são diferentes das seguradoras de saúde. Entendo que há muito espaço para melhorias e eu vou estar muito presente nesse debate. A missão do Ministério da Saúde, incluindo a ANS, sempre será a ampliação do acesso e qualidade dos serviços de saúde públicos e, também, privados.

Fonte: Revista EasyCOOP

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